let go
Rodolffo . 18 . Brasil

"Sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e faço."

“Van Houten,
Sou uma pessoa boa, mas um escritor de merda. Você é uma pessoa de merda, mas um bom escritor. Nós formaríamos uma bela equipe. Não quero lhe pedir nenhum favor, mas, se tiver tempo — e pelo que vi, você tem tempo de sobra —, fiquei me perguntando se poderia escrever um elogio fúnebre para a Hazel. Tenho algumas anotações e tudo mais, mas se você pudesse transformá-las num texto completo e coerente, e tal… Ou então só me dizer o que eu deveria escrever de forma diferente. O bom da Hazel é o seguinte: quase todo mundo é obcecado por deixar uma marca no mundo. Transmitir um legado. Sobreviver à morte. Todos queremos ser lembrados. Eu também. É isso o que me incomoda mais, ser mais uma vítima esquecida na guerra milenar e inglória contra a doença. Eu quero deixar uma marca.
Mas, Van Houten: as marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes. Você constrói um shopping center medonho ou dá um golpe de Estado ou tenta se tornar um astro do rock e pensa: ‚Eles vão se lembrar de mim agora‛, mas: (a) eles não se lembram de você, e (b) tudo o que você deixa para trás são mais cicatrizes. Seu golpe de Estado se transforma numa ditadura. Seu shopping center acaba dando prejuízo.
(Tá, talvez eu não seja um escritor tão de merda assim. Mas não consigo organizar minhas ideias, Van Houten. Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.)
Nós somos como um bando de cães mijando em hidrantes. Nós envenenamos as águas subterrâneas com nosso mijo tóxico, marcando tudo como “meu” numa tentativa ridícula de sobreviver à morte. Eu não consigo parar de mijar em hidrantes. Sei que é tolice e inútil — epicamente inútil em meu estado atual —, mas sou um animal como qualquer outro.
A Hazel é diferente. Ela anda suavemente, meu velho. Ela anda suavemente sobre a Terra. A Hazel sabe qual é a verdade: é tão provável que nós consigamos ferir o universo quanto é provável que nós o ajudemos, e é improvável que façamos qualquer uma dessas duas coisas.
As pessoas vão dizer que é triste o fato de ela deixar uma cicatriz menor, que menos pessoas se lembrem dela, que ela tenha sido muito amada mas não por muita gente. Mas isso não é triste, Van Houten. É triunfante. É heroico. Não é esse o verdadeiro heroísmo? Como dizem os médicos: em primeiro lugar, não cause dano ou mal a alguém.
Os verdadeiros heróis, no fim das contas, não são as pessoas que realizam certas coisas; os verdadeiros heróis são as que REPARAM nas coisas. O cara que inventou a vacina contra varíola não inventou nada, na verdade. Ele só reparou que as pessoas que tinham varíola bovina não pegavam varíola.
Depois que a minha tomografia acendeu como uma árvore de natal, eu entrei furtivamente na UTI e vi a Hazel quando ainda estava inconsciente. Entrei andando atrás de uma enfermeira de crachá e consegui me sentar ao lado da Hazel por, tipo, uns dez minutos antes de ser pego. Eu realmente achei que ela fosse morrer antes que eu pudesse lhe contar que também ia morrer. Foi brutal: o arengar mecanizado incessante da terapia intensiva. Havia uma água cancerosa escura pingando do peito dela. Os olhos fechados. Entubada. Mas a mão dela ainda era a mão dela, ainda quente, as unhas pintadas de um azul-escuro quase preto, e eu simplesmente segurei sua mão e tentei imaginar o mundo sem nós, e por mais ou menos um segundo fui uma pessoa boa o suficiente para torcer que ela morresse e nunca ficasse sabendo que eu também ia morrer. Mas aí eu quis mais tempo para que pudéssemos nos apaixonar. Creio que meu desejo foi realizado. Eu deixei a minha cicatriz.
Um enfermeiro chegou e me disse que eu precisava me retirar, que visitas não eram permitidas, e eu perguntei se ela estava melhorando. O cara disse: ‚Ela ainda está fazendo água.‛ Bênção do deserto, maldição do oceano.
O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la, Van Houten. Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que a Hazel aceite as dela.”

A Culpa é das Estrelas. (via ivalentim)

08-29 • 21:341,862 notesvia

Dedico essa foto a todos que me deixavam por último na hora de escolher os times de vôlei.

08-25 • 17:49

Hoje acaba True Blood e eu não estou preparado psicologicamente pra isso 😱😟😵😭

08-24 • 11:171 note

I was left to my won devices. Many days fell away with nothing show and the walks kept tumbling down 🎧🎵🎼 (em Home)

08-19 • 11:593 notes

"Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação." — Charles Chaplin. (em Moviecom)

08-15 • 18:001 note

"…Here I go again…" (em Franca Shopping)

08-10 • 16:49

“Medo do medo e além do medo o medo. Respiro, inspiro e padeço… Logo temo. Nasci, vivi, existi… Logo temi. Procurei, pensei, sonhei… Logo tive medo. A cama já está cansada de seu cansaço que desordena o lençol (que por medo acorda molhado de madrugada). Medo de por existir e ser o que é, não chegar a ser o que sente que deve ser. Medo de as vezes se sentir tão grande, mas quase sempre se ver tão minusculo. Medo da incompreensão, da crença, da descrença, das pessoas, da opinião, do ser, do não ser e do tempo. Tempo que vai… vai… vai… vai… vai te deixando, e tu, enquanto ficas, teme. E mesmo que saibas que o anarquismo do medo é a coragem que existe em algum lugar dentro de ti… Tu simplesmente teme. E até que pare de padecer por completo… Sempre sentirás medo.”

Rodolffo Garcia

07-22 • 2:313 notes

Fim de festa #housewinter

07-20 • 8:582 notes

07-06 • 20:0314,883 notesviasource

07-06 • 20:0341,339 notesviasource

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07-06 • 20:0335,776 notesviasource

“O que me mantém aqui é crer que os solavancos árduos resistidos agora são prefácios de um próximo e inédito “evoé”.”

Rodolffo Garcia.

07-06 • 14:55

07-05 • 14:35432,911 notesvia